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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Devia ser no Linhó...

Desde o início do MBA, em Setembro, António Mexia já deu três aulas na Universidade de ColumbiaMexia é docente do MBA dirigido por Manuel Pinho e financiado pela EDP

por Filipa Martins, Publicado em 11 de Novembro de 2010  |  Actualizado há 12 horas
EDP financia MBA dirigido pelo ex-ministro da Economia na Universidade de Columbia nos EUA. CEO da empresa garante que não recebe nada pelas aulas que dá
 
O CEO da EDP, António Mexia, é um dos professores convidados do MBA em Energia dirigido pelo ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, e leccionado numa parceria entre o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e a universidade norte-americana de Columbia - School of Internacional and Public Affairs (SIPA). Tendo em conta a brochura do mestrado, a que o i teve acesso, António Mexia faz parte do conjunto "de empresários e de pessoas de renome" que estão a leccionar parte do MBA. Em declarações ao i, o CEO da EDP esclareceu que não recebe qualquer valor pelas aulas que dá na Universidade de Columbia, garantindo que o faz "pro bono". "Nem eu nem ninguém da EDP fomos pagos para dar aquelas aulas", garantiu o presidente da eléctrica, que até ao momento já leccionou três aulas no âmbito do MBA.


O MBA, que teve início em Setembro deste ano, está integrado num projecto a quatro anos financiado pela eléctrica nacional. Como avançou o "Jornal de Negócios" em Outubro, a empresa portuguesa fez uma doação à School of International and Public Affairs, tendo pedido à universidade nova-iorquina para não divulgar o montante da doação. Entre as iniciativas patrocinadas pela eléctrica está o MBA dirigido pelo ex-ministro da Economia.


O presidente da EDP garantiu ainda que o curso é "independente" do patrocínio dado pela empresa à Universidade de Columbia: "Não há qualquer relação." Questionado sobre o valor do patrocínio concedido à instituição, António Mexia adiantou que a EDP dá apoios a 53 universidades em todo o mundo num valor que é um pouco superior a um milhão de euros, não especificando qual o montante aqui em jogo.


Ao nome do CEO da EDP, no corpo docente do MBA, juntam-se os de António Gomes de Pinho, presidente da Fundação Serralves, José Moreira da Silva, conselheiro das Nações Unidas para a energia e vice-presidente do PSD, o ex-bastonário José Miguel Júdice, Rui Cartaxo, presidente da REN, Paulo Teixeira Pinto, ex-presidente do Milennium BCP, Manuel Sebastião, Presidente da Autoridade da Concorrência e José Braz, membro da direcção da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).


O MBA em energia tem a duração de um ano e meio. Um ano é leccionado no ISCTE, em Lisboa, sendo apenas um semestre leccionado na Universidade de Columbia em Nova Iorque. No total, o mestrado custa 37 mil euros, variando o número de alunos entre os 20 e os 40. Contactado pelo i, o ISCTE avançou que o sucesso do primeiro MBA fez com que já abrissem as inscrições para o do próximo ano, que terá início em Setembro de 2011.


A notícia de que a EDP teria financiado o MBA dirigido por Manuel Pinho levou a que o PSD pedisse esclarecimentos ao governo sobre o que considerou ser "patrocínios generosos" de uma empresa que tem uma participação de 20% da Parpública e de 5,7% da Caixa Geral de Depósitos (CGD).


Nas perguntas dirigidas aos ministérios da Economia e das Finanças, o deputado social-democrata Luís Campos Ferreira questionou se é tradição na EDP patrocinar entidades do ensino superior, quais apoiou nos últimos anos e os montantes envolvidos. Luís Campos Ferreira perguntou ainda se a atribuição dos donativos "englobava a condição de indicar um professor que leccionasse um seminário ou uma cadeira". Até ao momento, o governo não respondeu às questões levantadas. Com Ana Suspiro

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