quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Não sei. Falta-me um sentido, um tacto.Álvaro de Campos

Não sei. Falta-me um sentido, um tacto 
Não sei. Falta-me um sentido, um tacto Para a vida, para o amor, para a glória... 
Para que serve qualquer história, Ou qualquer facto? 
 Estou só, só como ninguém ainda esteve, Oco dentro de mim, sem depois nem antes. 
 Parece que passam sem ver-me os instantes,
 Mas passam sem que o seu passo seja leve. 
Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li. 
 Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir. 
 O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir 
É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi. 
Não ser nada, ser uma figura de romance, 
Sem vida, sem morte material, uma ideia, 
 Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,
 Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe. 

 Álvaro de Campos (1917)

2 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Hoje não vires para esse gajo
Conhece-me de sobra
Hoje não quero ser sombra

Hoje tenho os sentidos todos

luis tavares disse...

Principalmente uma nova visão...