demissão

demissão

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Carris...o esbulho continua...



Carta da Marisa Moura à administração da Carris







Exmos. Senhores José Manuel Silva Rodrigues, Fernando Jorge Moreira
da Silva, Maria Isabel Antunes, Joaquim José Zeferino e Maria Adelina
Rocha,

Chamo-me Marisa Sofia Duarte Moura e sou a contribuinte nº 215860101
da República Portuguesa. Venho por este meio colocar-vos, a cada um de
vós, algumas perguntas:

Sabia que o aumento do seu vencimento e dos seus colegas, num total
extra de 32 mil euros, fixado pela comissão de vencimentos numa altura
em que a empresa apresenta prejuízos de 42,3 milhões e um buraco de
776,6 milhões de euros, representa um crime previsto na lei sob a
figura de gestão danosa?

Terá o senhor(a) a mínima noção de que há mais de 600 mil pessoas
desempregadas em Portugal neste momento por causa de gente como o
senhor(a) que, sem qualquer moral, se pavoneia num dos automóveis de
luxo que neste momento custam 4.500 euros por mês a todos os
contribuintes?

A dívida do país está acima dos 150 mil milhões de euros, o que
significa que eu estou endividada em 15 mil euros. Paguei em impostos
no ano passado 10 mil euros. Não chega nem para a minha parte da
dívida colectiva. E com pessoas como o senhor(a) a esbanjar desta
forma o meu dinheiro, os impostos dos contribuintes não vão chegar
nunca para pagar o que realmente devem pagar: o bem-estar colectivo.

A sua cara está publicada no site da empresa. Todos os portugueses
sabem, portanto, quem é. Hoje, quando parar num semáforo vermelho,
conseguirá enfentar o olhar do condutor ao lado estando o senhor(a) ao
volante de uma viatura paga com dinheiro que a sua empresa não tem e
que é paga às custas da fome de milhares de pessoas, velhos, adultos,
jovens e crianças?

Para o senhor auferir do seu vencimento, agora aumentado ilegalmente,
e demais regalias, há 900 mil pessoas a trabalhar (inclusive em
empresas estatais como a “sua”) sem sequer terem direito a Baixa se
ficarem doentes, porque trabalham a recibos verdes. Alguma vez pensou
nisso? Acha genuinamente que o trabalho que desempenha tem de ser
tamanhamente bem remunerado ao ponto de se sobrepôr às mais
elementares necessidades de outros seres humanos?

Despeço-me sem grande consideração, mas com alguma pena da sua pessoa
e com esperança que consiga reativar alguns genes da espécie humana
que terá com certeza perdido algures no decorrer da sua vida.


Marisa Moura